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A relação entre o planejamento urbano e o elemento natural

Os rios são fontes de um dos recursos naturais indispensáveis aos seres vivos: a água. Além disso, têm grande importância cultural, social, econômica e histórica.

O processo de urbanização das cidades está relacionado ao elemento natural, tendo, geralmente, os rios como elemento estruturador e ponto de partida de sua história. As primeiras ocupações das cidades brasileiras ocorreram através da presença dos rios, onde os índios utilizavam este elemento natural para sobrevivência.


No estado de São Paulo, com a expansão do café, a primeira ferrovia foi inaugurada no ano de 1.867, marcando a entrada do país na modernidade e incentivando o comércio popular, principalmente na cidade de São Paulo. A modernização das cidades alterou de forma marcante a relação entre a água e o meio urbano, e pouco a pouco, os rios que era a razão de sua existência, tornaram-se obstáculos para o seu crescimento.


A solução encontrada para a expansão urbana de grandes capitais do país foi à canalização de rios e córregos, como por exemplo, a cidade de São Paulo, que de acordo com o documentário “Entre Rios”, ampliou o sistema rodoviário pensando exclusivamente no automóvel, com a construção de vias e marginais em várzeas, áreas de fundos de vale, úmidas e alagadiças, devido a baixos custos de desapropriação e valorização do entorno da orla, como é o caso do Rio Tietê e Rio Pinheiros, os principais afluentes da cidade.


As consequências deste tipo de intervenção no meio ambiente, mudando o curso de rios, canalizando-os e ocupando as áreas de várzeas com habitações e sistema viário, aliado com a expansão urbana e com o fato de que, quanto mais a cidade cresce, maior consumo de água e consequentemente de esgoto, é de inundações, problemas de infraestrutura urbana e problemas sociais em vários âmbitos.


Rio Tietê sendo retificado e canalizado na Vila Anastácia.

Fonte: São Paulo: a cidade, os rios e suas planícies inundáveis – o rio Tietê.

A partir da década de 1950, o processo de urbanização do Brasil se intensificou e as atividades industriais e oportunidades se expandiram, atraindo assim, cada vez mais pessoas para as cidades. O acúmulo de pessoas, a falta de planejamento e a urbanização indevida, trouxeram problemas do âmbito social para a população urbana, destacando-se a falta de infraestrutura adequada, insalubridade, poluição, mercantilização da moradia, do solo, da água, do ar e da saúde pública, exclusão e desigualdade social.


Esse cenário de exclusão social que se encontra presente nas cidades até os dias atuais, é caracterizado, por grande parte de a população habitar de modo precário em áreas de risco de desastres naturais.


O planejamento urbano surge na história como reação ao fenômeno de expansão desordenada das cidades e tem como característica principal, ser um instrumento estratégico capaz de organizar e estruturar o processo de crescimento urbano, com intuito de influenciar na qualidade de vida das cidades, através de intervenções físicas e transformadoras. Além disso, engloba diversas concepções que requerem análises em diferentes escalas, buscando sempre a percepção de como funciona o meio urbano e as necessidades mais urgentes da população.


O desenho urbano prevê as alterações e transformações das formas urbanas, como espaços públicos, traçados, funcionalidades e construções, funciona como um instrumento para reduzir os impactos negativos que a urbanização desequilibrada provoca no meio ambiente e possui papel estratégico nos projetos de integração regional.


Um exemplo bacana de programa relacionado ao tema é “100 parques para São Paulo”, que foi lançado em 2008, com o intuito de expandir as áreas verdes da cidade, construir um banco de terras públicas prestadoras de serviços ambientais e iniciais um plano de adaptação ao novo cenário de mudanças climáticas.


O critério de escolha das localizações para implantação dos futuros parques foi embasado na identificação de áreas públicas existentes, assim como áreas ambientalmente frágeis, principalmente concentradas nos extremos sul e norte do município, bem como aquelas produtoras de água e de fundos de vale.


Além das questões tradicionais que tratam os parques urbanos, os parques lineares do programa visam respeitar as áreas de APP, ajudar a combater nas enchentes, evitar ocupação em áreas de risco, ser uma opção de cultura e lazer para a população do entorno e recuperar as margens do córrego do local (Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, 2017).

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